Healthtech · Plano de Pesquisa Modelo · Não executado

A Anatomia da Inércia no Diagnóstico de Sono

Setor Healthtech · Diagnóstico
Entregável Plano de Pesquisa
Métodos Planejados Netnografia · Entrevistas · Diário · Shadowing · Analytics
Status Plano modelo — não executado
📌

Este é um plano de pesquisa modelo. A coleta de dados, entrevistas e análises não foram realizadas. O que está documentado aqui é o raciocínio metodológico por trás do design da pesquisa — não seus resultados.

O Problema

Por que pacientes sintomáticos não buscam diagnóstico?

A questão não era de acesso ou custo — era comportamental. Uma empresa de healthtech com produto de diagnóstico domiciliar do sono enfrentava uma realidade: pacientes com sintomas claros não agiam. Roncavam há anos, relatavam sonolência diurna, eram reportados pelos parceiros — e mesmo assim não buscavam diagnóstico.

Esse padrão tem nome em pesquisa comportamental: zona de desconforto tolerado. Entender sua anatomia — o que mantém o paciente nela e o que poderia movê-lo — era a questão central do projeto.

O que separa o paciente que age do que continua convivendo com o problema?


Por que esse caminho?

Por que cinco métodos — e por que nessa sequência

Comportamento de não-ação é difícil de capturar com um único método. Cada abordagem tem um ângulo — e um ponto cego.

Entrevistas capturam o que o paciente acredita que faz. Diário captura o que ele registra no momento. Shadowing captura o que ele nem percebe que faz. Analytics captura padrões que nenhuma das três abordagens consegue escalar. Netnografia captura as normas culturais que constrangem o comportamento antes mesmo que a pessoa chegue ao consultório.

A decisão de usar cinco métodos não foi ambição — foi reconhecimento dos limites de cada um. O design multimétodo é uma resposta à complexidade do problema, não uma demonstração de sofisticação.

A sequência também importa: começar pela netnografia significa entender o discurso público sobre sono antes de construir o roteiro de entrevistas — evitando que hipóteses internas contaminem as perguntas, um erro comum em pesquisas sobre comportamento de saúde.

🗂 Diagrama de sequência metodológica imagem a inserir

Decisões de Design

As escolhas por trás do plano

Por que começar com netnografia antes das entrevistas?

Para não chegar ao campo com hipóteses internas já formadas. A netnografia mapeia o que as pessoas dizem publicamente sobre sono — fóruns, grupos, redes — antes de qualquer contato direto. Isso define o vocabulário real do paciente e impede que o roteiro de entrevistas projete as interpretações da equipe.

Por que diário e shadowing juntos?

Porque existe um gap entre comportamento relatado e comportamento real. O diário captura a intenção e a percepção no momento. O shadowing captura o que acontece independentemente da percepção. Usar os dois é uma forma de medir a distância entre o que o paciente acha que faz e o que de fato faz.

Por que dez semanas?

Diagnóstico de sono envolve resistência que não aparece em um contato único. O paciente que recusa hoje pode aceitar em outro contexto. O cronograma foi desenhado para respeitar o ciclo comportamental — não para caber em um sprint de produto.

Por que incluir analytics em uma pesquisa qualitativa?

Qualitativo diz o quê e o porquê. Analytics diz quando e quanto. Para um produto digital, os dados de uso revelam padrões que o paciente não consegue articular em entrevista — como o momento exato em que abandona o fluxo de diagnóstico.


Reflexões

O que planejar sem executar me ensinou

Planejar pesquisa sem executar é um exercício mais rigoroso do que parece. No campo, o erro pode ser corrigido na iteração seguinte. No plano, cada decisão precisa ser justificável sem o "ajustamos conforme aprendemos" — o que força clareza sobre hipóteses e limitações desde o início.

A parte mais difícil de um plano multimétodo não é escolher os métodos — é definir a sequência. A ordem não é neutra: ela determina quais hipóteses chegam ao campo e quais são formadas no campo. Essa consciência mudou como penso sobre design de pesquisa.

Aprendi também que plano e execução têm públicos diferentes. Um plano bem escrito precisa convencer quem aprova orçamento, quem vai executar e quem vai usar os resultados — três linguagens distintas para o mesmo documento.

← Anterior Pesquisa de Personas Portfólio Próximo → Jornada do Produtor